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Coluna do Samuel

Sobre a necessidade Viciosa


Escrevo porque preciso. Porque me supre de muita mágoa presa na necessidade de falar. Porque é sabido que quem guarda adoece. Escrevo pois me completa. É por amor e é por amar. Apenas o papel entende o nervoso de ter que pôr para fora (o quê? o que for necessário!) e sentir seu coração na boca, batendo acelerado, pensando a cada segundo que ele irá sair junto com o que tiver de sair. Limpar posteriormente lágrimas involuntárias de olhos cansados, disfarçar as bochechas rosadas e a garganta engrenhada. Mas isso tudo bem. É só um sinal do corpo de que ele ainda não foi derrotado. E o papel entende isso. Por isso mesmo não questiona e tampouco julga verso ou prosa mal escrita, pois, de qualquer forma, meu erro já está eternizado. Seja nesse pequeno texto, ou quem sabe em minha memória póstuma, seguida da última noite de agonia em que meu coração acelerado resistir. Ou quem sabe mesmo no dia seguinte em que ele aguente, prolongando seu sofrimento, ao ser acelerado mais uma vez. Mas que após a compulsão e impulsão, é preciso colocar pra fora (o quê? O que for necessário!) e o papel isso anota. Assim, não precisarei nem mesmo falar (em consequência, não adoecer). E em meio a esse tortuoso silêncio tão vicioso, passarei, então, a ser real.

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